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Aspirante da Marinha revela pressão para esconder homossexualidade e não prejudicar a carreira

Aspirante da Marinha revela pressão para esconder homossexualidade e não prejudicar a carreira

Marcelo Dias – Extra

 

RIO -Almirante da Marinha que assumiu ser gay - Foto: Marcelo Franco / EXTRA Aos 21 anos, X. adquiriu mais do que valores e disciplina na Marinha. Aspirante da Escola Naval, aprendeu também a bater continência para o preconceito. Obrigado a esconder o fato de ser homossexual, ele revela as águas tortuosas que se deve navegar até um porto seguro na carreira. O custo dessa travessia, porém, é manter vida dupla – fardo que seu comandante não suportou carregar após 15 anos na Força (aspirante conta como teve de lidar com a sua homossexualidade nas Froças Armanadas) .

O comandante de X. era o capitão-de-corveta afastado recentemente pela Marinha para tratamento psicológico por desejar trocar de sexo. Tal como o oficial, o aspirante jamais demonstrou ser gay intramuros. Segundo X., qualquer suspeita sobre sua sexualidade poderia prejudicá-lo na carreira militar.

- O preconceito é velado e cabotado, como se diz lá dentro. Sofremos para não expor nossa opção sexual porque funções de confiança podem ser prejudicadas.

Avaliação psicológica para ‘desvios’

Um militar gay de carreira aprende desde cedo que o armário guarda mais do que fardas e insígnias. Para evitar que homossexuais ingressem na instituição através das escolas preparatórias, X. conta que a Marinha tenta barrá-los na transferência do Colégio Naval para a Escola Naval. Para isso, os testes psicológicos de seleção avaliariam se os futuros aspirantes podem estar inclinados a "desvios".

- Há uma bateria de exames psicológicos, com perguntas maquiadas para desvendar alguma predisposição para uma opção sexual diferente – conta X., que mentiu para não ser desligado.

Perguntas dos testes

Para evitar que isso aconteça, os gays recorrem a artifícios para saber que tipo de avaliação será aplicada:

- Eles não fazem o teste para todos no mesmo dia e trocávamos informações para checar pegadinhas. Vinha tudo num contexto, com desenhos a fazer, em quem nos espelhamos, idade de iniciação sexual, com quem foi…Não pelos chefes, mas pelos demais – diz ele.

Pressão afeta saúde

Em tratamento médico, X. diz que deixará a Marinha, mas não por sua vontade:

- Serei desligado ou reformado. Mas não vou pedir baixa. Pediria se não tivesse problemas de saúde, mas os trotes e a pressão psicológica me levaram a isso.

Dilema de X. vai de casa até a Escola Naval

O drama vivido pelo aspirante não se limita ao quartel. Em casa, a família de X. não sabe que o rapaz é gay. Muito menos seu pai, oficial das Forças Armadas. Só uma prima sabe do dilema iniciado ainda no Colégio Naval (ouça o que diz o aspirante) .

- Todos os homens nascidos depois do meu pais são militares. Só uma prima minha sabe que sou gay. Mesmo assim, só há poucas semanas. E contei para uma ex-namorada e uma amiga – diz ele, que hoje se relaciona com um engenheiro recém-saído da Força Aérea:

- Estamos juntos há um mês. Ele ficou oito anos na Aeronáutica, não é efeminado e foi o primeiro da turma. Quem tem interesse lá dentro marca e se encontra na rua.

Polêmica positiva

O aspirante vê um lado positivo na polêmica surgida nas últimas semanas:

- Não fosse a mídia, haveria um processo administrativo para reformar o meu comandante e ficaria por isso mesmo. Isso o prejudica, mas gera uma discussão que ajuda a sociedade a amadurecer.

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